Neura: quando, porque e daí

Faltavam 30 minutos para ir à inauguração de uma boate e lá estava eu na frente do espelho, xingando o cosmos por me presentear com um pneu aro 20 ao redor da minha cintura.

Blusas sensuais: descartadas; tomara que caia: lembrar de doar; calça cintura baixa: marcar psicólogo na segunda-feira; mini saia: ó SHIT! Afinal, de onde vieram essas celulites e por que raios toda espécie de gordura insiste em ficar concentrada no lado interno das minhas coxas, como se ali fosse a 25 de março em pleno 24 de dezembro?!

Aos 17 não entendemos essa neura das mulheres em ir à academia, fazer lipo, tomar Herbalife, apelar pro chá verde, fazer massagem modeladora e ser freguesa de tudo que contenha a palavra “magra” e seus derivados. Mas, quando a primeira celulite aparece – e isso costuma ser no final de semana que você combinou de ir ao clube com os amigos – a explicação magicamente é processada e você entra em crise.

“Crise do corpo perfeito”, como eu gosto de chamar. Você pensa: “não há nada de mal em ter pessoas no mundo com peso extra, desde que essa pessoa não seja eu”. Isso se intensifica quando se liga a TV e aparece a bunda perfeita de alguma dançarina de funk andando em Copacabana.

Segunda chegou e, ao invés de ter marcado hora com um psicólogo, lá estava eu na academia fazendo inscrição e tirando minhas medidas. Tem coisa mais deprimente? O primeiro dia foi tão ruim, mas TÃO RUIM MESMO, que eu nunca mais voltei. Dieta? Consegui fazer no café da manhã de uma terça. Na quarta minha mãe comprou um bolo de chocolate e lá se foi a minha ilusão de ter um corpo de miss Brasil…

A encanação foi embora quando comecei a fazer atividade física por saúde – sessão noturna de cãibras não vem apenas por falta de potássio. O corpo vai entrando nos eixos, mas nada tão exuberando quanto uma mulher fruta. E você pensa: “tudo bem, eu estou feliz assim”.

Buscar o equilíbrio é mais importante, saudável e prazeroso do que se espelhar em um padrão de beleza utópico – eu disse “utópico”, viu? Também sei falar difícil.

Lição de hoje aprendida? Então vamos cair de boca naquela lasanha bolonhesa sem medo de ser feliz, minha gente! Nada que cinco quilômetros de corrida amanhã de manhã não resolvam…

Foto: Reprodução.

Enviado por: Rúbia Gondim

🙂

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Somos muitas e, ainda assim, uma só.
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